Banco Central do Brasil (BC) num supra órgão, autônomo em relação à estrutura administrativa do país e desvinculado de qualquer ministério.Além de contrariar o artigo 61 da Constituição Federal, que reserva esse tipo de proposta à exclusiva competência do presidente da República,
Tornar o Banco Central ‘autônomo’, imune à interferência de qualquer ministério ou órgão público, amplia e torna definitiva a captura da política monetária do país pelo setor financeiro privado, colocando em grave risco a soberania financeira e monetária do país, com sérios danos às finanças públicas, à economia e a toda a sociedade”, afirma.
O PLP 19/2019 foi APROVADO no Senado em novembro/2020, sem que houvesse audiência pública ou possibilidade de manifestação social, diante do isolamento imposto pela pandemia.O resultado foi de 56 votos favoráveis e 12 contrários, tendo como relator o senador Telmário Mota (Pros-RR).“Há quase 30 anos esta Casa vem tentando votar essa matéria, a ponto que ela chegou agora, eu entendo, extremamente amadurecida”,
“O Banco Central deve atuar não apenas em busca da estabilidade e eficiência do sistema financeiro e da suavização das flutuações do nível de atividade econômica, mas também, na medida de suas possibilidades, para fomentar o pleno emprego”, defendeu
.Entre os motivos levantados pelos favoráveis ao PLP está a alegação de que, com sua aprovação, o BC estaria comprometido a “fomentar o emprego” no país.Contudo, a condição conta no parágrafo único do art. 1º do PLP 19/2019 apenas como uma afirmação secundária e não como uma obrigação.
Os senadores favoráveis também negam que o Banco Central estaria autônomo em relação à estrutura administrativa do país.Segundo eles, as metas de política monetária seriam estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, devendo ser seguidas pelo BC, conforme art. 2º do PLP 19/2019.Um dos parlamentares que haver uma “bancada dos bancos” com forte poder de interferência na tomada de decisões no Congresso, o senador Alessandro Vieira (Cidadania), por exemplo, votou a favor do projeto em novembro.
Segundo ele, o principal motivo é a tentativa de escapar do risco do populismo na atuação da autoridade monetária. “Acredito que o projeto cerca suficientemente a atuação do BC, com relatórios, transparência e participação na fiscalização.
A segurança que temos é essa, a transparência e a atuação permanente do Congresso”,
contudo, poucos se atentam para os nomes que compõem o Conselho Monetário Nacional. “Apenas o presidente do BC, o ministro da Economia e um subordinado que, portanto, não conta. Quem faz as metas é o próprio BC”, .
Ainda de acordo com a coordenadora, apesar de buscar “autonomia”, com a aprovação do PLP, o Banco Central não se responsabilizaria por eventuais prejuízos. Segundo o Art. 7º da Lei de Responsabilidade Fiscal, eles seriam transferidos para Tesouro Nacional, ou seja, arcados pela população brasileira.
Projeto com “vício de iniciativa”, O PLP tem vício de iniciativa, competência do Presidente da República, não poderia ser de iniciativa parlamentar”, que votou contra o projeto.Segundo ele, caso o projeto seja aprovado, “o governo eleito terá um papel reduzido nas decisões econômicas do país.
As decisões do BC têm natureza política, impacto distributivo, afetando crescimento econômico e o nível de emprego no Brasil. É necessário que as decisões do BC envolvam a sociedade por meio dos seus representantes eleitos”.
Atualmente, lembra Paim, os cargos de presidente e diretores do BC são de livre indicação da presidência da República. Com a aprovação da “autonomia”, os mandatos passam a ser de 4 anos, a dispensa só será possível em caso de condenação judicial.“Com os mandatos fixos para os cargos do BC, o executivo não poderá demitir quem o contrarie. Corre o risco de a política monetária ser capturada pelo interesse do mercado.
O governo tem que ter controle sobre a política monetária”,.
30 anos em pauta
A primeira tentativa de legalização da ‘independência do Banco Central’ surgiu com o PLP 200/1989, há mais de 30 trinta anos. , “não por acaso a matéria deixou de ser votada ao longo de mais de três décadas: trata-se de proposta extremamente polêmica e perigosa, que deixa o controle da moeda e a política monetária do país em situação de injustificável vulnerabilidade, nas mãos dos bancos privados nacionais e internacionais
. É um atentado à nossa soberania!”.Em março de 2020, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, vinculada à a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicou manifestando preocupação com o PLP19/2019, à época ainda não votado no Senado.
Segundo o documento, iniciativas como esta “negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras”.
“Autonomia do BC” não é o único projeto lesivo aos interesses públicos,,,
Paralelamente ao PLP 19/2019, consta da lista de prioridades tanto de Bolsonaro como de Lira outros projetos, como o PL 3.877/2020, , que propõe a criação do “Depósito Voluntário Remunerado” aos bancos pelo BC, sem limite ou parâmetro algum
.A proposta de independência do BC e criação do depósito voluntário remunerado aos bancos consta também do PLP 112/2019, enviado ao Congresso pelo ministro da Economia Paulo Guedes, pelo presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e por Jair Bolsonaro.E AGORTA COM O NOVO PRESIDENTE GALIPOLO NADA MUDA ,,A SIMETRIA E A MESMAM ...
Legalização de remuneração diária paga aos bancos com dinheiro público
O dinheiro depositado ou aplicado nos bancos por pessoas físicas, empresas ou órgãos governamentais gera um montante que deveria ser emprestado à sociedade em geral, a juros baixos ou até negativos, e, ao circular na economia, gerar emprego e renda.
“Depósito Voluntário Remunerado”, a iniciativa visa garantir o controle sobre a política monetária e a taxa de juros, que não deveria entrar em queda exagerada.
Além disso, recolher e remunerar a sobra de caixa dos bancos seria necessário para que haja controle da inflação
.De acordo com o documento enviado a Lira, a queda de juros seria muito bem-vinda e até necessária, sendo que a alta taxa atrapalha a vida dos brasileiros.“
A inflação que existe no país, segundo estudos publicados pelo próprio BC, tem sido causada principalmente pela alta de preços administrados pelo governo (energia, combustíveis etc.) e pela alta do preço de alimentos.
Se esse enxugamento de moeda servisse para controlar a inflação que existe no Brasil, com esse volume atual de cerca de R$ 1,7 trilhão de sobra de caixa dos bancos depositada no Banco Central era para estarmos com inflação negativa ou zerada, e o que está acontecendo?
.O entrou em contato com o Presidente da Câmara por e-mail, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.