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02 Apr
02Apr

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi alvo de críticas por parte de deputados durante audiência na Câmara dos Deputados, em meio às comemorações dos 60 anos da instituição.

 Os parlamentares questionaram a manutenção das altas taxas de juros no Brasil, que atualmente estão em 10,50% ao ano (dados de meados de 2024), uma das maiores taxas reais de juros do mundo.

Principais pontos das críticas:

  1. Impacto no crescimento econômico: Alguns deputados argumentaram que os juros elevados freiam o crédito e o consumo, prejudicando a retomada do crescimento econômico, especialmente em um momento de inflação mais controlada.
  2. Comparação internacional: Foi destacado que o Brasil possui uma das maiores taxas reais de juros entre as principais economias, mesmo com a inflação dentro da meta.
  3. Custo para o endividamento público: Parlamentares apontaram que os juros altos aumentam o custo da dívida pública, pressionando ainda mais o Orçamento Federal.

Defesa de Galípolo:

O diretor do BC reiterou o compromisso da autarquia com o regime de metas de inflação e afirmou que a política monetária é guiada por critérios técnicos.

 Ele destacou a importância de manter a inflação sob controle para garantir a estabilidade econômica no longo prazo, evitando desarranjos futuros. 

Além disso, mencionou que o Copom (Comitê de Política Monetária) tem acompanhado os dados econômicos e que eventuais mudanças na taxa Selic dependerão da evolução desses indicadores

.Contexto:

O debate ocorre em um momento de divergências entre o governo federal, que defende cortes mais agressivos nos juros para estimular a economia, e o Banco Central, que tem mantido uma postura mais cautelosa. 

A autonomia do BC, formalizada em 2021, também foi tangenciada na discussão, com alguns parlamentares questionando se a instituição estaria excessivamente descolada das demandas sociais

.O tema deve continuar em pauta, especialmente com a proximidade das reuniões do Copom e sob pressão de setores produtivos por redução do custo do crédito.


Por que o Brasil parece "amarrado"?

  1. Juros altos crônicos – Mesmo com inflação controlada, o BC mantém a Selic em patamares elevados, sufocando consumo, investimentos e o crescimento.
  2.  Enquanto outros países reduzem juros (como EUA e Europa), o Brasil insiste em uma política que, na prática, beneficia o rentismo e penaliza a produção.
  3. Círculo vicioso do baixo crescimento – Juros altos → Crédito caro → Empresas não investem → Economia não avança → Desemprego e informalidade permanecem altos.
  4. Autonomia do BC x Necessidades do país – A independência do Banco Central, em tese, deveria evitar interferência política, mas muitos criticam que a instituição age com excessivo conservadorismo, ignorando que o Brasil precisa de política monetária + política industrial.
  5. Falta de um projeto nacional – Enquanto países como China, Índia e EUA combinam juros baixos com investimento em setores estratégicos (tecnologia, infraestrutura, energia), o Brasil fica no "piloto automático": juros altos, câmbio volátil e indústria definhando.

O que poderia mudar?

  • Redução mais agressiva dos juros (desde que a inflação permita);
  • Controle do custo fiscal (para evitar que o governo pressione a inflação);
  • Política econômica integrada (BC + governo trabalhando em conjunto para estimular setores produtivos);
  • Investimento em infraestrutura e tecnologia (para aumentar produtividade e reduzir custos).

Enquanto o Brasil não romper com essa lógica de "estagnação controlada", continuaremos patinando, com um PIB que não decola e um povo cada vez mais frustrado.

 O desafio é político: ou se muda o modelo, ou o país segue "amarrado" enquanto o mundo avança.


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